segunda-feira, 4 de março de 2013

| agora vou mudar minha conduta |
| eu vou pra luta |
| vou tratar você com a força bruta |

sexta-feira, 1 de março de 2013

| não me incomodo que você me diga que
| a sociedade é minha inimiga |

sábado, 9 de fevereiro de 2013

| a colombina entrou num butiquim |
| bebeu
| saiu assim |

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

| mal começaste a conhecer a vida e já anuncias a hora de partida |
| sem saber mesmo o rumo que irás tomar |

sábado, 2 de fevereiro de 2013

| de cada amor tu herdarás só o cinismo | quando notares: estás à beira do abismo |
| que cavaste com os teus pés |

terça-feira, 29 de janeiro de 2013


| só quero choro de flauta |
| violão |
| e cavaquinho |

| estou contente |

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

| chorando se foi quem um dia |
| só me fez chorar |

sábado, 26 de janeiro de 2013

| de hoje em diante eu vou modificar o meu modo de vida |
| e pra começar: eu só vou gostar de quem gosta de mim |

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

| tenho que folgar os nós | dos sapatos |
| da gravata |

| tenho que lamber o chão |

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ei, dermato.



Tá acontecendo um problema aqui. Sabe aquele peeling que o senhor me receitou, doutor? Aquele noturno? Pois é, ele não tem me ajudado, doutor; pelo contrário: só me prejudica.
Não sei se o senhor entende, doutor, mas eu sou recém casada e não posso usar um creme noturno que cheire a enxofre. Será que o senhor me entende? Eu sou recém casada.
Aquela outra vez que estive aqui e o doutor me proibiu de fazer aquela tatuagem linda de borboletinha lilás atrás da orelha, pois disse que tenho hipercicatrização e que ficarei com uma cicatriz horrível, eu cheguei em casa arrasada, com muito muito muito estresse derramando pelos olhos e nós brigamos, doutor, meu noivo e eu. Sim, ainda éramos só noivos, doutor.
Mas agora sou recém casada, doutor. Não posso usar um creme noturno que me deixe cheirando a enxofre, doutor. Isso só atrapalha o meu relacionamento e, como o creme para as estrias, não ajuda a pele, doutor.
Sabe o que mais, doutor? Ela não cheia a enxofre à noite, e não precisa de cremes para estrias. Isso mesmo, doutor. Obviamente eu não tenho medo da concorrência, doutor, mas outra noite ele chegou com um sorriso no rosto e o cheiro dela no cangote, doutor. E eu? Eu enxofre, doutor!
Quando eu tive coragem pra perguntar, ele me disse que ela não cheirava a enxofre na hora de se deitar e que suas pernas eram lindas, assim como as minhas, mas não ficavam grudentas a noite, doutor. Tá me entendendo? Não posso usar um creme noturno que cheire a enxofre, doutor!
Cada vez que venho aqui o senhor me receita uns cremes e uns tratamentos muito atrapalhantes, doutor. Eles não combinam com relacionamentos, não. Eu sou recém casada, doutor, e esse negócio dele ficar indo pra lá e cá e na volta ter aquele cheiro de puta no cangote, doutor, não é nada bom.
É claro que a culpa é sua! De quem mais seria? Minha é que não é! Eu só sigo as orientações, doutor; o senhor prescreve e eu vou lá e mando fazer os cremes, uso e fico cheirando a enxofre, doutor. Mas eu sou recém casada e não posso usar um creme noturno que cheire a enxofre, doutor!
Sabe a hora de se deitar? Aquela do esquenta, doutor? Ah, vai dizer que não sabe? Dá pra ver na tua cara, doutor, tu também chega e ela te pega pelo cangote. Dá pra ver na tua cara! Como eu tava te dizendo, doutor, a hora do esquenta, do aconchego, a tal cheirada no cangote, e até mais adiante as preliminares, doutor. Eu gosto é que ele me abrace, doutor, passe a mão no meu cabelo, e depois onde mais tiver vontade de passar, doutor. Sabe do que eu tô falando? E como eu vou fazer isso com o rosto cheirando a enxofre e as pernas grudando de creme, doutor? Eu sou recém casada e ele anda visitando demais aquela outra, doutor.
Ele sabe que eu sei, ele sempre soube. Mas agora, como recém casada, doutor, não posso usar um creme noturno que cheire a enxofre.




né?



| essa menina de mansinho me conquista |
| vai roubando gota a gota esse meu |

| sangue | 

| laiá laiá lá lá iá |

| cantando neste mundo vivo escravo do meu samba |
| muito embora vagabundo |

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Gianfrancesco Guarnieri e o Teatro de Arena

Destaque no meio teatral nos anos 1960 e 1970, ao lançar textos voltados à realidade nacional e discutindo, com densidade dramática, problemas sóciopolíticos de impacto.
Eles Não Usam Black-Tie, abre o período da fase nacionalista do Teatro de Arena. Como ator, e eventualmente diretor, distingue-se pela busca de uma expressividade brasileira nas caracterizações.
Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Marinenghi de Guarnieri
*1934 Milão, Itália.    +2006 São Paulo, SP.
·         Filho de imigrantes, chega ao Brasil com dois anos pra morar no Rio de Janeiro.
·         Muda-se para São Paulo com a família em 1950 e começa a fazer teatro amador com Vianinha, com quem, em 1955, funda o Teatro Paulista do Estudante;
·         Este se funde com o Teatro de Arena em 1956, que havia sido fundado por José Renato.


ARENA: fundando em 1953, em São Paulo, “torna-se o mais ativo disseminador da dramaturgia nacional que domina os palcos nos anos 1960, aglutinando expressivo contingente de artistas comprometidos com o teatro político e social.” Ali surgiu o primeiro “fazer teatro" em formato de arena no Brasil, com destaque para os nomes: Décio de Almeida Prado, Geraldo Mateus e José Renato.
 A peça de estréia foi Esta Noite é Nossa (Stafford Dickens), com os atores: José Renato, Geraldo Mateus, Henrique Becker, Sergio Britto, Renata Blaunstein e Monah Delacy. Então até 1956 o Arena monta peças mais clássicas e depois tenta encontrar um repertório e uma estética própria – quando nesse ano ele se funde com o TPE e contrata Boal para aulas sobre as idéias de Stanislavki. Novos nomes: Guarnieri, Vianinha, Milton Gonçalves, Vera Gertel, Flavio Migliaccio, Floramy Pinheiro, Riva Nimitz. Em 1958, beirando a dissolução por crise financeira e ideológica, Guarnieri escreve Eles Não Usam Black-tie, que foi dirigido pelo José Renato, alcança grande sucesso. O retorno é surpreendente, fazendo com que esse texto torne-se referência de texto nacional – em razão das abordagens atuais, no momento em que o Brasil vivia um cenário de greves e opressão. Na primeira montagem havia a participação de Guarnieri (Tião), Lilia Abramo (Romana), Miriam Mehler (Maria), Flavio Magliaccio (Chiquinho), Eugenio Kusnet (Otávio), Francisco de Assis (Jesuíno), Henrique Cesar (João), Celeste Lima (Teresinha), Riva Nimtz (Dalva), Milton Gonçalves (Braulio).
·         Daí em diante a obra de Guarnieri se volta a essa temática da “vida operária”:
*Gimba [em cena o morro carioca e a dura sobrevivência das populações marginalizadas], de 1959, é produzido pelo Teatro Maria Della Costa (destaque é Flávio Rangel). *A Semente [enfoca, em modo desabrido, a organização do Partido Comunista e a atuação de uma de suas células num momento de greve operária], de 1961, pelo TBC.
"Esses textos ostentam, pela temática e proposições estéticas, vínculos com o realismo socialista; possuindo o mérito de deslocar o olhar cênico para as camadas populares, seus problemas e contradições próprias, sem a óptica paternalista tradicional."
*O Filho do Cão [pretende fundir alguns mitos conhecidos na região com a exposição realista da miséria da população]. Montado no Teatro de Arena (direção de Paulo José).
 
encenação de Arena conta Tiradentes, 1967
·         Em 1965, um ano depois do golpe militar, uma nova realidade se configura e o grupo se vê obrigado a reorientar e repensar seu repertório. Para driblar a censura é preciso algo novo, os dramaturgos são obrigados a aceitar cortes ou a apelar para expressões metafóricas em seus textos, objetivando liberar as encenações – em razão do AI-5. Assuntos históricos e alegóricos se mostram como uma saída. Então, Guarnieri, Augusto Boal e Edu Lobo estruturam um espetáculo em torno da saga de Ganga Zumba, o herói negro dos Palmares, - modelo de um seminário histórico, que possibilita a inclusão de um narrador contemporâneo que interliga e comenta os episódios representados, estabelecendo outro patamar de comunicação com a platéia. = ARENA CONTA ZUMBI. Em 1965 vai a cartaz ARENA CONTA TIRADENTES. ===== caracteriza-se como TEATRO DE RESISTÊNCIA:
um movimento teatral e um conjunto de dramaturgos que se colocam contra o regime militar de 1964. São textos que enfocam a repressão à luta armada, o papel da censura, o arrocho salarial, o milagre econômico e a ascensão dos executivos, a supressão da liberdade, muitas vezes apelando para episódios históricos ou situações simbólicas e alegóricas. Desenvolve-se entre 1964 e 1984, embora a grande concentração esteja entre 1969 (decretação do AI-5 e arrocho da Censura) e 1980 (início da distensão).
A primeira reação teatral ao golpe militar de 1964 é Opinião, um show de protesto que reúne ex-integrantes do CPC. Duas realizações coroam o movimento de resistência: a encenação em 1979 de Rasga Coração, texto de Oduvaldo Vianna Filho datado de 1972, que tem de enfrentar dura e longa batalha com a Censura, sendo liberado apenas após sua morte. E a visita ao Brasil de Augusto Boal em 1980, vivendo no exílio, com seu Teatro do Oprimido. O texto de Oduvaldo Vianna Filho trata das lutas do Partido Comunista, e o Oprimido, idealizado por Augusto Boal, disponibiliza técnicas teatrais às vítimas de situações opressivas.
·         Em Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes, usa-se o sistema denominado “Sistema Coringa”, onde todos os atores fazem todos os papéis, alternando-os entre si, prescindindo de um aprofundamento psicológico nas interpretações. A ligação entre os fatos, a narração dos episódios obscuros ficam por conta de um Coringa, elo entre a ficção e a platéia.
·         O uso do Sistema Coringa, a dispersão de forças de Augusto Boal dividido entre muitos compromissos, e o clima político concorrem para um resultado frio, que não prende a atenção do público. Guarnieri sai do Arena em 1959 para poder realizar um trabalho com Maria Della Costa, Gimba, Presidente dos Valentes. Era o primeiro trabalho de Guarnieri em palco italiano e a direção ficou a cargo de Flávio Rangel. [retrato da realidade dos morros cariocas, em forma de musical, inspirando-se em parte na sua própria experiência de vida.] A encenação passou meses excursionando pela Europa, sendo apresentada no Festival das Nações, na França.
·         Em 1962 Guarnieri retorna ao Arena como autor, ator e sócio.
·         Boal é detido em 1971, em meio a novos ensaios de Arena Conta Bolivar, e em seguida parte para o exílio. O Arena passa às mãos do administrador Luiz Carlos Arutin e do Núcleo, grupo remanescente do espetáculo Teatro Jornal. Doce América, Latino América, criação coletiva, com direção de Antônio Pedro, é apresentada até o fechamento do teatro, em 1972.
·            A sala foi comprada pelo Serviço Nacional de Teatro, SNT, em 1977, impedindo assim a dissipação da memória de uma das equipes de maior relevância na cena brasileira. Com o nome de Teatro Experimental Eugênio Kusnet, ela abriga, desde então, elencos de pesquisa da linguagem teatral.
·            Guarnieri, após longo afastamento dos palcos, exercendo outras atividades, inclusive como Secretário de Cultura da Prefeitura, o autor volta em 1988 com Pegando Fogo Lá Fora, em 1995 A Canastra de Macário, em 1998 Anjo na Contramão com o filho Claudio e em 2001 a ultima peça, que foi chamada de A Luta Secreta de Maria da Encarnação.
·            Também ator de cinema e televisão, acumula nesses veículos grandes interpretações.